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Kerry elogia o processo de paz “valente e criativo” da Colômbia

É a primeira visita do secretário de Estado dos EUA à América Latina. Ele se reúne com Dilma Rousseff amanhã

John Kerry, saluda durante su visita a soldados colombianos. Ampliar foto
John Kerry, saluda durante su visita a soldados colombianos. EFE

O secretário de Estado estadunidense, John Kerry, qualificou o processo de paz que o governo de Juan Manuel Santos criou em Cuba com a guerrilha das FARC como “muito corajoso” e “criativo”. “A Colômbia é uma história de êxito e os EUA estão orgulhosos de poder compartilhá-la”, acrescentou Kerry, entusiasmado, em visita a Bogotá, primeira parada de um périplo que inclui o Brasil e, segundo os analistas, aponta o lugar que a Colômbia ocupa nas relações de Washington com a região.

Na primeira visita ao país, Kerry chegou muito cedo usando uma camiseta esportiva estampada com o nome da Colômbia e o número 1 para acompanhar o grupo de soldados feridos em combate e jogar vôlei sentado com a seleção colombiana formada por militares mutilados na guerra.

O secretario felicitou o país e o governo de Santos pela “transformação assombrosa” para alcançar a paz e a chanceler colombiana, María Ángela Holguín, respondeu agradecendo a ajuda dos EUA por muitos anos, especialmente o “fortalecimento das Forças Armadas”. Michael Mckinley, o destacado embaixador na Colômbia, tinha dito à mídia local que o apoio do seu país ia além do processo de paz. “Estamos prontos também para apoiar a Colômbia no processo de transição”, afirmou.

Kerry assegurou aos jornalistas que, embora a ajuda estadunidense estivesse centrada no apoio militar e antidrogas, a Colômbia tinha avançado significativamente. “Chegou a um momento no seu desenvolvimento, segurança, comércio e capacidade de se autogovernar em que é importante começar a pensar no que será sustentável no longo prazo, e isso significa a paz”.

Um tema inevitável foi a espionagem da Colômbia pela Agência de Segurança Nacional (NSA), que ficou conhecida quando o jornal O Globo divulgou que a Colômbia era o terceiro país mais espionado na região, depois do Brasil e do México.

Neste momento, a chanceler colombiana expressou preocupação com “um programa de recopilação não autorizada de dados e interceptação de comunicações pessoais na Colômbia” e anunciou que o país pediria explicações ao governo dos EUA. Segundo O Globo, informações relacionadas à guerrilha das FARC eram coletadas de modo “constante, mas variável” desde 2008.

Holguín revelou que o tema foi tratado no encontro de Kerry e Santos, e que os dois países têm estado em contato desde a revelação do escândalo. Uma comissão colombiana foi a Washington tentar esclareceu o sucedido. “Estamos neste processo de um modo positivo e construtivo. Recebemos as explicações necessárias”, disse Holguín em coletiva de imprensa, sem dar detalhes das explicações.

Por sua vez, Kerry afirmou que as interceptações foram feitas “conforme a nossa Constituição e a lei” e acrescentou que continuarão atendendo aos pedidos de outros países para esclarecer quaisquer inconvenientes. “Todo mundo sabe que vivemos num mundo perigoso. Um mundo muito diferente do que conhecíamos antes de 11 de setembro de 2001, e necessariamente estamos involucrados num esforço muito complexo para evitar que terroristas tirem a vida das pessoas”, disse.

Durante a visita do secretário de Estado estadunidense, Clara López, presidente do partido opositor Polo Democrático, pediu a Santos que explicasse detalhadamente o motivo da visita de Kerry, para não cair no “segredismo”, como ocorrera, disse ela, na visita do vice-presidente Joe Biden, no final de maio, quando este ratificou o respaldo dos EUA às negociações de paz com as FARC. López também disse que era preocupante que as visitas centradas nos EUA pudessem levar à negligência das relações com outros países da região.

Tradução: Cristina Cavalcanti