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A semana terminou com uma intensa ebulição política em Brasília. Após dias de críticas à Petrobras por causa da política de preços dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite desta sexta-feira que irá indicar o general Joaquim Silva e Luna, ex-ministro da Defesa e atual diretor-geral da hidrelétrica Itaipu Binacional, para substituir Roberto Castello Branco na presidência da estatal. A decisão, que precisa ser chancelada pelo conselho da empresa, reforça a presença militar em cargos-chave da administração brasileira. O temor de uma interferência política na estatal repercutiu no mercado financeiro e fez as ações despencarem quase 8% nesta sexta-feira. “O mercado entendeu como muito negativa essa fala por conta de um sinal que é sempre muito ruim em termos de governança das empresas. Em um passado recente, a grande crítica que havia sobre as estatais era essa interferência política”, afirma Joelson Sampaio, coordenador do curso de economia da FGV. Para Sampaio, as declarações de Bolsonaro trazem à tona essa sensação de ingerência, assim como aconteceu com a ex-presidenta Dilma Rousseff. “É claramente um aceno político a categoria dos caminhoneiros [grupo que tem apoiado o presidente], mas que pesa muito no mercado”, completa.

Em paralelo, a Câmara dos Deputados decidia pela manutenção da prisão do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ). O relator do processo no STF, ministro Alexandre Moraes, justificou a detenção sob o guarda-chuva da lei de segurança nacional e de que o crime cometido teria ocorrido em flagrante. Afonso Benites explica que o Legislativo segue o script de não entrar em confronto com o Judiciário em um momento em que as instituições estavam começando a se acomodar, após passarem um ano de 2020 em extrema tensão, muito por conta das atitudes do presidente e de seu séquito. Também pesou contra Daniel Silveira seu histórico de extremista com poucas relações políticas.

Ainda nesta edição, Aruká Juma, sobrevivente de um massacre nos anos 60, morreu nesta quarta de complicações do coronavírus. Era o último homem de seu povo, e as três filhas que deixa são as únicas remanescentes da etnia que já teve entre 12.000 e 15.000 membros. A correspondente Naiara Galarraga Gortázar escreve sobre como a história de Aruká ilustra como a pandemia atinge indígenas que vivem em aldeias no Brasil ―uma pequena minoria especialmente vulnerável que habita um vastíssimo território― e também oferece um olhar sobre a história dessas comunidades dizimadas desde a colonização portuguesa e que são essenciais para a conservação da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo.

Boa leitura e bom final de semana!


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